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Saiba tudo sobre a Nova MTV




Com o slogan “Pronta para outra”, a MTV apresentou nesta terça-feira em São Paulo a sua nova programação, com a presença de novos talentos do canal como os músicos Supla e Fiuk. A estreia da MTV  que sai do Grupo Abril e volta às mãos da Viacom, conglomerado americano dono da emissora em vários países, incluindo os EUA  será no dia 1º de outubro, às 21h30m.

A programação incluirá séries americanas como “The vampire diaries”, que sai da Warner, além de desenhos como “South Park”, shows e premiações internacionais; mas terá ao menos uma hora e meia diária dedicada a produções nacionais.

O programa de estreia, por exemplo, será o “Coletivation”, exibido de segunda a sexta às 21h30m. Será uma espécie de “telejornal descontraído”, com notícias do mundo do entretenimento e das celebridades, apresentado por Fiuk e pelo comediante Patrick Maia, com repórteres no Rio e em São Paulo. A cantora americana Demi Lovato vem a São Paulo no dia 7 de outubro para gravar uma participação especial no programa comandado por Fiuk.
A ideia é aumentar a quantidade de programas nacionais, à medida em que os telespectadores forem se familiarizando com o canal. Todo o conteúdo produzido no Brasil, aliás, será feito em parceria com produtoras terceirizadas.
  A MTV não produz nada na casa, faz parcerias, seguindo a tendência das TVs por assinatura. Não temos preconceito e estamos abertos a parcerias  disse Tiago Worcman, vice-presidente e responsável pela programação da nova MTV.
   Ex-GNT, Worcman confirmou que ainda estuda novos formatos para prêmios nos moldes do VMB e para programas como o Acústico, “já que a música nacional sempre estará na MTV, o tempo todo”.
   A MTV estará disponível pelo cabo nas principais operadoras do país (consultar o canal de cada uma), atingindo até 12 milhões de espectadores. O comando da emissora não fala do montante de investimento envolvido na criação do novo canal, mas “é um investimento alto”, disse Tiago.
     A MTV Brasil será uma das que tem mais conteúdo nacional entre todas as que estão em operação no mundo  salientou o vice-presidente, citando entre as parceiras produtoras como Indiana, Conspiração e Eyeworks.
   A Indiana está por trás de uma das atrações mais esperadas: o reality show “Papito in Love”, estrelado pelo cantor Supla. Aos 47 anos, o músico, que já disse “não estou curtindo ficar velho”, será desafiado a encontrar o amor entre 14 candidatas que, confinadas numa casa pintada de rosa (a ideia foi de Supla), passarão por uma série de testes — uma versão paulistana para o “The bachelor”.
    A governanta de Supla, amigos e uma ex-namorada darão pitacos na disputa. Não se sabe se a mãe de Supla, a ministra da cultura Marta Suplicy, dará qualquer opinião sobre a escolha amorosa do filho. Mas seu pai, o senador Eduardo Suplicy, aparece em uma cena do programa: “Querem arrumar uma namorada para mim, pai”, o protagonista conta no vídeo.
   Tá muito divertido. Nunca beijei tanto. Gostaria de ter minha mãe no programa, claro, mas ela trabalha demais — disse o músico, durante a coletiva de imprensa para apresentar a nova programação na manhã desta terça, no Hotel Emiliano, em São Paulo.
Supla, aliás, foi estrela do primeiro reality show brasileiro, a “Casa dos artistas”, exibido pelo SBT em 2001. Outro destaque da grade nacional será o “MTV sports”, também um reality, que trará competições de MMA e surfe. O programa será comandado pela dupla Deco Neves e Lucas Stegmann, únicos remanescentes da antiga MTV.

Um dos programas que deve atrair mais espectadores, no entanto, é internacional: toda sexta-feira, às 22h30m, o “MTV world stage” apresentará um show diferente, o mesmo em todas as emissoras do mundo. O primeiro a ir ao ar, dia 11, será com Snoop Lion ( Snoop Dog, que mudou de nome ).
Segundo Tiago Worcman, a programação da MTV está baseada em uma grande pesquisa internacional, que avaliou o comportamento e os hábitos de consumo da chamada “geração Y” ou “milennium”:
  
  A MTV não é feita mais para mim, mas para essa galera entre 15 e 25, e talvez 30 anos, que é completamente multiplataforma  explicou Tiago, adiantando que o site da emissora será um de seus carros-chefe, com bastante notícia e interagindo com a programação da TV o tempo todo.
Em março está prevista a estreia de uma série nacional chamada “Copa do Caos”, em que argentinos chegam ao Brasil para assistir à competição e vivem várias tensões e roubadas. Promete arrancar risadas às vésperas da Copa do Mundo.

Para ex-diretor, internet é algoz da MTV



Sabe aquela ex-namorada por quem se nutre algum tipo de sentimento que não é amor? Parece ser essa a relação do ex-dirigente da MTV, André Mantovani, com a emissora musical.
Atual vice-presidente da TV Cultura, Mantovani, que ficou por 20 anos no Grupo Abril, quase metade deles como diretor-geral da MTV, sabe bem quais foram os anos áureos dessa relação.Mas, como quase todo ex, aponta sem piedade os defeitos da amada.
Para ele, o algoz da MTV é mesmo a internet. E não por ser um novo canal para a exibição de videoclipes. Mantovani acha que a encruzilhada da emissora musical está em uma questão cultural: a perda da vanguarda.
"A MTV por anos ditou tendências na cultura pop. Foi assim no tempo do broadcasting, em que há um emissor de informação para vários receptores. Com a internet veio a segmentação. Todas as grandes mídias perderam força para as mídias sociais."
Foi o início de uma cultura em que as pessoas passaram a ser também influenciadas por seus contatos do Facebook e por blogs. "A MTV não é mais a primeira a falar aos jovens. Perdeu sua força."
E enquanto botava banca de gata mais moderninha da balada, a emissora foi lucrativa. Mantovani conta que de 2000 a 2007, a MTV faturou muito, sempre com um baixo custo operacional. "Nunca foi um canal de salários milionários, não é?", ironiza ele.
Segundo o executivo, a emissora começou a dar sinais de problemas financeiros no final de 2009. O faturamento caiu e o canal caminhava para entrar no vermelho. "Uma hora, a conta não fecharia mais. Mas não havia ainda o fantasma de venda."
Após ter um projeto de programação recusado pela Abril, grupo proprietário do canal, Mantovani deixou a emissora no final de 2010.
Vieram os cortes de gastos, demissões em série e o interesse da Abril em encontrar um comprador para a rede, negociações que ganharam corpo neste ano, com um grupo de investidores interessado no negócio.
A Abril nega que esteja negociando a venda do canal.
"Não creio que a MTV Brasil vá acabar. As pessoas que estão lá são muito competentes e podem reerguer a emissora", aposta Mantovani.
"Se a Abril vender a rede, a MTV americana [Viacom] pode manter a marcar no Brasil em outro canal. Teremos outros VMBs", prevê o diretor, que diz não querer voltar à ex, mas afirma sonhar com vida longa e feliz para ela.



Fonte: Jornal Floripa,Um dia com MTV